Depois do amor.

Aquele sonho antigo, dos tempos de criança, que sonhava sozinha na varanda de uma casa na roça.
E todo o som da natureza era confundido com as teclas do meu teclado, eu dizia que deseja um rio passando ao lado, árvores iguais mangueiras que faziam sombras no quintal e o som do canto de um bem-te-vi, e eu ali escrevendo uma poesia, solitária e feliz com minha própria companhia.
Mas então eu conheci um amor que fez brotar em mim a vontade de nunca estar sozinha...
Que fizeram toda a poesia que escrevi se curvar diante do desejo ardente de te ter comigo, ainda que tudo parecesse novidade era o meu coração pedindo, implorando, gritando.

E quando eu lia que os apaixonados não poderiam compartilhar tudo que amava com seu amado, não entendia o porquê, achava insano, egoísmo, tirano. Só que hoje, cada canto que eu amo me faz lembrar você, hoje entendo, hoje eu choro por cada vento que sopra meu cabelo, por canto dos pássaros, por cada som das águas do rio, choro por que tudo me faz lembrar você.

E a poesia continua retilínea, sem curvas, sem grandes emoções, é como se a vida fosse a 9ª sinfonia, entre baixos e altos, vibrantes e calmos, com você e sem você. E nem rima eu tenho, nem mesmo palavras me bastam, bastava-me apenas você.

E aquela varanda com um rio passando ao lado, árvores sombreando o quintal, pássaros, natureza, teclado, poesia, ar, coração, vida, eu... aquilo tudo já não me basta como antes... 


Beijos enormes,
Bárbara Castro.


PS: Não é baseada em fatos reais, não quando se retrata de todos os detalhes. (risos)

Um comentário:

  1. Muitíssimo criativo! Bem, dizes que não se baseia em fatos reais e não se retrata todos os detalhes, fica a dúvida de quais sejam os detalhes reais retratados... (risos). Se estás rindo, não terá havido essa separação que deixa a menina do conto tão sem chão... Não pode haver nada pior num relacionamento que a desilusão. Belíssimo texto. Seguindo-te. Excelente 2017 a ti. Um abraço

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