Falando dos meus avôs, João Batista e José Pontes.

Quando nascemos e ao longo da nossa criação recebemos lições a cumprir, somos educados de acordo com a educação que os nossos pais e responsáveis receberam. Minha mãe conta, entre lágrimas, que o meu avô era um pai muito severo. Que batia em seus filhos por motivos insignificantes, como vê-los tropeçar.Eu fui a primeira neta do meu avô com a minha avó e foi o meu avô quem me deu a primeira calcinha. Quando lembro dele sempre me recordo que ele adorava sentar com os pés apoiados em banquinho, pois sentia dores nas pernas, também lembro muito das suas costas largas e do quando gostava de abraçá-lo. Ele me mimava muito, e adorava tirar coco para eu beber da água e comer aquelas raspinhas, também gostava muito de levar até a minha casa um saquinho de acerolas, e ele ia caminhando por alguns poucos quilômetros todas as semanas. Ele foi maravilhoso, não tenho como agradecer por ter tido a oportunidade de conviver com ele, pode não ter sido um bom pai (conseqüentemente ele deve ter sido educado para ser o pai que ele foi), mas ele foi um avô excepcional, que me perdoe o outro avô, mas meu vovozinho João Batista pai da minha mãe foi meu único avô da maneira mais bonita e simples que ninguém mais conseguiria ser.

Quando falo sobre isso as pessoas imaturas devem imaginar que não dou valor ao outro avô, mas meu pai já o disse: “Meu pai usa saias e tem o mesmo nome da minha mãe”. E foi exatamente assim que aprendi a vê-lo. Na verdade eu não o via. O meu avô paterno foi ausente em toda a educação do meu pai. Pela estória contada timidamente pela minha avó, meu avô já não estava mais ao lado dela quando meu pai nasceu, e também se ausentou de ajudar na educação de todos os outros quatro filhos. Não tenho mágoa dele, aliás já senti muito orgulho daquele velhinhos, orgulho pelos feitos ‘materiais’, mas tristeza pelos feitos ‘emocionais’. Ele foi fraco quando deveria ter sido forte, e abandou os filhos. Sabe como eu o conheci? Por pura curiosidade! Resolvi ir até a casa dele com meu tio, que todos os sábados ia visitá-lo, o único filho que o visitava com freqüência. Meu pai só esteve com ele uma única vez, foi muito bonito apesar do preconceito que rondava naquela casa, dia dos pais, eu o convenci a todo custo a ir naquele almoço, e o Seu José Pontes teve seu último presente. Talvez não tenha sido digno a recebê-lo com tanta alegria, mas fomos de corpo e alma a um almoço na casa dele, a alegria em seus olhos de estar na presença de todos os filhos somente ausente tia Luzia, alegria em seus olhos o tornou digno.

Hoje eu já não tenho em vida nenhum dos dois avôs, partiram para uma nova jornada. Cada qual seguiu o caminho que escolheu, viveu o que acreditou ser certo e conquistou o que merecia. Partiram jovens, não viveram o suficiente para conhecer seus bisnetos, mas terão outras oportunidades.

Há pouco eu estava pensando em qual assunto falar aqui, imaginando algum texto em mente, algo que me levasse a uma variedade de palavras que unidas formariam um texto. Enfim, se falar dos meus avôs é a intenção não intencionada então que seja.  

Deixando claro que apesar de serem completamente diferentes, eu não tenho mágoa de nenhum, aliás de ninguém. 

A cegueira dos nossos atos nem sempre é fácil de curar. Pode levar anos a fio.

Um beijo especial a uma pessoainha muito importante na minha infância, e graças a meu avô paterno juntamente com minha maravilhosa avó Maria DoCarmo, sem esses dois seria impossível tê-la na minha vida. Quero deixar um beijão a minha prima Carla que provavelmente irá ficar de cabelo em pé quando ler esse texto e encontrar um ponto no qual eu cito o quanto acredito e tenho fé naquilo que me vale crer. Mesmo assim, mesmo com as nossas diferenças religiosas, temos o mesmo Deus e o mesmo sangue correndo na veia. Além do mais, eu hoje lembrei muito dela, porque é puro e simplesmente que jamais deixaria de amá-la, tanto quanto meu irmãozinho com quem fui praticamente criada, Robério. (Que também me lembrei muito hoje). Esses dois são os meus primos mais iluminados e maduros da minha família paterna. Isso eu posso falar, como meu ponto de vista! E é difícil eu me enganar. Porque o amadurecimento pode ser visto na quantidade de julgamento que uma pessoa faz. 

Beijo enorme a todos,
Fiquem todos com Deus, muita luz nas nossas vida. Tenhamos fé independente de religião, porque a religião só serve para nos distanciar do próximo, e Deus nos quer unidos na fé de acreditar nEle.

Bárbara Castro.

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