Pai (sempre), presente e futuro.

Hoje eu fui almoçar no shopping aqui do lado, na companhia insubstituível da minha tia Jana, resolvemos algumas coisas pendentes e quando caminhávamos para a praça de alimentação, ela encontrou uma amiga da faculdade, que está indo morar no estado do Amazonas, em busca de uma estabilidade financeira melhor. Ficaram conversando umas duas horas, ali em pé, e o tempo para elas parecia não passar, meus rins clamavam por água, meu estômago vazio por alimento e minha garganta por uma pastilha que a acalmasse sem que eu pudesse sentir um gato a arranhá-la. Por fim, despediram-se e fomos nós duas a caminho da praça, escolhemos um restaurante e sentamos com nossas bandejas de comida e uma velha lata de coca-cola light plus e outra de coca-cola zero.

Nos primeiros minutos comemos sem falar uma só palavra, a fome estava maior que qualquer dialogo. Mas por fim, começamos a conversar, e eu não sei porque toquei no assunto do meu pai, comecei a falar sobre sua morte, sobre minha decepção familiar, que foram indelicados e egoístas naqueles minutos cruciais. Foi um desabafo. Minha tia ouvia olhando em meus olhos, e eu senti a sensação mais deliciosa que um ser humano poderá sentir: a de ser escutado. Que para muitos isso é pura bobagem. Contei exatos momentos finais, até da minha última bronca, quando meu pai dormia no sofá da minha avó paterna e estava atrasado para o trabalho. E eu fui até ele, mesmo percebendo sua falta de vontade de ir trabalhar, o puxei como uma mãe puxa o filho da cama e falei para que ele pudesse servir suas obrigações. Porque eu sempre fui um pouco de mãe dos meus pais.

Minha tia e eu perdemos pessoas que amamos ainda muito jovens, porém sua situação era diferente, pois seu pai havia abandonado sua mãe quando ela era uma recém-nascida e sua mãe faleceu quando ela possuía a idade da adolescência. Eu pelo menos ainda tenho minha mãe, a qual dediquei mais do que poderia, pois reverti muitas vezes o papel de mãe e filha, e hoje tenho me sentido mais filha que antes, e dando a parecer que tenho menos responsabilidade. Mas a grande verdade é que minha responsabilidade não está presente em um telefonema, e sim na educação que recebi e qual ela deve agradecer e confiar.

Mas voltando ao meu pai, o assunto que trato de maneira simples e sem choro, mas hoje sou muito mais madura espiritualmente. Só paro as vezes para pensar em qual motivo um suicida pensa quando resolve perder a vida?! Se isso seria tamanha coragem ou falta de?! Pois eu costumo dizer que é um pouco de cada coisa, coragem para realizar tal fato e falta quando se coloca pensamento como este na cabeça. Eu muito já sofri por temer receber geneticamente esses pensamentos, mas hoje eu percebi que sou vou para o meu umbral quando me casar toda de branco com meu marinheiro, numa praia e com meus convidados. Quando realizar cada um dos meus sonhos, e se possível os sonhos desejados daqueles que eu amo. Quando dedicar quase nove meses aos meus gêmeos, e dar os nomes de duas pessoas que aprendi a admirar com facilidade, ou talvés somente o nome feminino dando oportunidade a escolha masculina ao meu marido...risos, pois não abrirei mão do nome da minha filha a qual terá apelido mais fofo.

Então, hoje mais inspirada a grandes realizações vou fechar o programa e desligar o computador para retornar a minha casa, onde terei que dedicar meus minutos de hoje para me programar ao dia de amanhã.

E estou pensando se vou ali ganhar um esporro da minha tia que dorme feito anjo....rs

Beijão, fica com Deus,
Bárbara Pontes.

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